Por que 'Turma da Mônica' demorou tanto para virar filme? Diretor explica

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Postado em: 27 / 06 / 2019 [01:38 am]

 
 
Desde sua criação, ainda como uma tirinha, em 1959, os personagens de Mauricio de Sousa já foram publicados em 14 idiomas diferentes em 40 países. "Turma da Mônica: Laços" estreia nesta quinta-feira (27) como a primeira adaptação com atores dos gibis para o cinema em 60 anos, graças a uma história certa e à evolução do cinema brasileiro.
 
"A graphic novel já responde um pouco, ela dá um passo pra gente olhar a Turma da Mônica e ver uma turma um pouco mais realista do que o universo clássico dos quadrinhos do Maurício", diz em entrevista ao G1 o diretor da produção, Daniel Rezende. Assista ao vídeo acima.
 
Ele se refere à obra de mesmo nome escrita e desenhada pelos irmãos Vitor e Lu Cafaggi em 2013, na qual o filme se baseia. A HQ faz parte da linha que entrega os personagens de Mauricio para outros autores, a Graphic MSP.
 
"E o cinema teve que dar mais quatro ou cinco passos para que a gente pudesse ver na tela grande, em carne e osso, essa turminha", afirma Rezende. Editor indicado ao Oscar por "Cidade de Deus" (2002), ele estreou como diretor em "Bingo: O rei das manhãs" (2017).
 
Quem sabe faz ao vivo
No filme, assim como na graphic novel, a turma deve unir forças e atravessar uma floresta para encontrar Floquinho, o cãozinho verde do Cebolinha, raptado por um homem misterioso.
 
Um enredo que une quatro grandes desafios para qualquer equipe de produção: crianças, cachorro, floresta e gravações noturnas.
 
O primeiro e maior obstáculo foi superado através de uma busca intensa pelos atores corretos – que envolveu 7,5 mil candidatos ao longo de seis meses – e o improviso. Nenhum dos atores mirins teve contato com o roteiro, com uma pequena exceção, durante as filmagens.
 
Como Rezende lembra, não é uma tática inédita. O próprio "Cidade de Deus" ficou conhecido por fazer o mesmo. Mas em um filme focado quase exclusivamente em um elenco infantil toma proporções bem maiores.
 
"Dificulta muito a vida do diretor, do montador pra poder pegar depois e editar, mas ao mesmo tempo traz uma naturalidade, uma verdade e um registro que não é aquele da criança que está atuando e que vai falar a fala decoradinha", conta o cineasta.
 
O plano foi auxiliado pela inexperiência dos protagonistas. Com 12 anos e um trabalho na novela "Cúmplices de um resgate", Kevin Vechiatto, o Cebolinha, é o mais velho deles e o único com passado em atuação. Giulia Benite (Mônica), Gabriel Moreira (Cascão) e Laura Rauseo (Magali) fazem sua estreia como atores.
 
"A gente aproveitou dessa falta de experiência para eles trazerem como eles são de verdade e trazer características deles que se assemelhavam aos personagens", diz o diretor.
 
"Então a gente fez um processo de muito ensaio, muita preparação, muita improvisação para chegar numa verdade em cima dos personagens para que a gente pudesse ter as cenas. E foi a melhor escolha."
 
O tempo que precisava
As gravações em cidades como Holambra, Mairiporã, Cubatão e Paulínia, no estado de São Paulo, e Poços de Caldas, em Minas Gerais, aconteceram durante sete semanas de junho e julho de 2018.
 
Curiosamente, mais ou menos a data original de lançamento do filme anunciada quando o elenco foi apresentado, em 2017.
 
"Esse primeiro pensamento de junho do ano passado era um pouco otimista demais", fala Rezende. Ele lembra que a realização de todas as etapas de um projeto desse tamanho, do roteiro à agenda dos atores, não é fácil.
 
Ainda mais se somar com outro problema: encontrar a data ideal para o lançamento. Ao estrear em cerca de 700 salas no Brasil, "Laços" vai concorrer com blockbusters americanos como "Toy Story 4", já em cartaz, e outras atrações infantis das férias escolares, como "Pets: A Vida Secreta dos Bichos 2" e "O Rei Leão".
 
"Eu acho esse filme foi até bem rápido, do que se demora para fazer um filme. Mas o importante é que ele demorou o tempo que precisava demorar para chegar na qualidade e no resultado que a gente queria."
 
Durante coletiva de imprensa, ele avisou que há planos para possíveis continuações. Afinal, os Cafaggi já deixaram outros dois capítulos de sua trilogia, "Lições" e "Lembranças". As crianças já se ofereceram para voltar.
 
E Sidney Gusman, editor da Mauricio de Sousa Produções, lembra que há mais de 20 outras obras da Graphic MSP aguardando para serem adaptadas, com personagens como Astronauta, Papa Capim e Penadinho.
 
Pode ter demorado 60 anos para a turma chegar aos cinemas. Mas agora talvez eles não saiam mais.
 
Fonte: G1