Segunda Chamada estreia nesta terça discutindo educação para adultos em meio a dramas reais

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Postado em: 08 / 10 / 2019 [01:05 am]

A sala de aula volta a ser retratada na televisão nesta terça (8), mas por uma perspectiva diferente. “Segunda Chamada” se volta para a educação de jovens e adultos.
 
Na fictícia Escola Estadual Carolina Maria de Jesus, alunos de 17 a 70 anos se encontram no período noturno para retomar os estudos.
 
Ali, só o nome é fictício: as histórias foram baseadas em fatos reais e a série foi gravada em uma escola desativada na zona oeste de São Paulo.
 
Debora Bloch, Hermila Guedes, Silvio Guindane e Thalita Carauta interpretam os professores, que compõem o corpo docente da escola liderada por Paulo Gorgulho. Ele volta à TV Globo depois de 18 anos, como o diretor Jaci.
 
Afeto e comprometimento em sala
Para viver a professora de português Lúcia, Debora visitou algumas Escolas de Jovens e Adultos e falou sobre a experiência que teve em uma escola na Maré, no Rio:
 
"O afeto com que as professoras se relacionam com os alunos e o comprometimento foi uma coisa muito forte e bonita de assistir."
 
"Elas sabiam a história de cada aluno, como cada aluno chegou ali, a dificuldade de cada um e queria me contar."
 
Realidade dura
"Eles querem estar ali, mas acordam cedo, trabalham o dia inteiro", explicou. A dupla ou até tripla jornada é um dos fatores que leva à evasão das escolas e foi apontado como uma das dificuldades enfrentadas no cotidiano de um colégio pela atriz.
 
Debora também citou a precariedade da estrutura física das escolas, o baixo salário dos professores e a dificuldade na formação e reciclagem dos estudos dos professores como outros desafios.
 
"É uma realidade muito dura que a gente acostumou a invisibilizar, a normalizar que as pessoas vivem em uma realidade precária, tão desassistidas, tão abandonadas."
 
Olho na educação
A atriz defendeu a importância de falar sobre a educação pública, independente do período.
 
"É um assunto relevante independente do momento que a gente está vivendo, porque a EJA já é um reflexo de uma lacuna no nosso sistema de educação", afirmou a atriz, quando questionada se havia relação com o momento político com cortes na educação que o país atravessa.
 
"A precariedade das políticas públicas para educação é uma questão que nos acompanha há muitos anos, não é só de agora", defendeu.
 
Thalita Carauta interpreta a professora Eliete e afirmou que o horizonte da série é maior: "A gente fala de relação e como a gente revê as nossas relações. É bom que a gente pode trocar tanto da nossa vida."
 
Tensão em cena e revelação
Além do clima tenso na sala de aula, a professora Lucia também tem que lidar com problemas familiares e superar um trauma de um trabalho antigo. No entanto, a paixão pela profissão prevalece e serve como força para a professora, que não desiste de seus alunos.
 
A tensão do evento de lançamento ficou só no teaser apresentado e quando a atriz Hermila Guedes falou que viveu em casa o drama de sua personagem, que apanha do marido.
 
"Em muitos momentos assim eu me vi, aliás eu não me vi, eu vi a minha mãe naquela personagem. A minha mãe infelizmente foi violentada pelo meu pai", contou Hermila Guedes , emocionada.
 
"Uma das dificuldades que eu tive em cena, a Joana não sabia... Vou me emocionar, me desculpem", disse Hermila, chorando. "Ao mesmo tempo era fácil, porque era reviver tudo aquilo, mas ao mesmo tempo eu não queria sentir tudo aquilo de novo."
 
"A série pode encorajar essas mulheres a denunciar essa agressão. Poder compartilhar essa minha história acho que ajuda outras a também se sentirem mais seguras e denunciar."

Entrosamento entre o elenco
Foram cinco meses gravando durante a noite e às madrugadas. Joana Jabace, que estreia como diretora geral, escolheu um elenco diverso, com rostos pouco conhecidos.
 
"É um elenco muito colado aos personagens que eles estão interpretando. São poucos casos de um ator que está fazendo uma composição."
 
Felipe Simas, Linn da Quebrada, Carol Duarte e Mariana Nunes interpretam alunos na Escola Carolina Maria de Jesus.
 
Linn, cantora trans, falou ao G1 de sua estreia na televisão: "A Debora foi um presente na minha vida, ela me deu suporte, apoio, foi generosa comigo, me olhou com carinho".
"Ela me tratou com muito respeito no ambiente de trabalho e isso fez com que eu acreditasse em mim, porque ela já estava acreditando de alguma forma."
 
Linn será Natasha, uma aluna trans que vai sofrer preconceito na escola. A questão do gênero é um dos principais do capítulo de estreia.
 
A série vai abordar as histórias de alunos com filhos para criar, envolvidos com tráfico de drogas e com prostituição, entre outras questões, no dia a dia da escola.
 
Fonte: G1