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Sem astros, filo teve boa seleção

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festivalokPara quem se acostumou a esperar apenas pelos "grandes nomes" pode até ter sido decepcionante essa 42.ª edição do Festival Internacional de Londrina, que se encerrou no domingo.

De fato, na grade do evento deste ano não constavam atrações que tivessem o apelo pop de um Peter Brook ou de um Eugenio Barba. Mas nada disso parece ter comprometido a consistência de sua programação.

Se faltaram os grandes astros da cena estrangeira, não foram poucos os espetáculos de qualidade. Caso do irretocável A Tempestade, dos portugueses da cia. do Chapitô, e da montagem italiana Guerra, que se revelou, talvez, como o grande trunfo dessa edição. O incômodo trabalho de Pippo Delbono mesclou conflitos bélicos a guerras internas, descortinando-os pela perspectiva bastante particular do diretor, e foi ovacionado pela plateia que lotou o teatro Ouro Verde nos dois dias de apresentações.

Viu-se de tudo um pouco no Filo deste ano, que teve 22 mil espectadores e retomou atividades, como o palco de peças infantis. Pautado pelo critério da "diversidade de estéticas e propostas", que o curador Luiz Bertipaglia faz questão de ressaltar, o evento investiu em diferentes vertentes: teatro de bonecos, de objetos, baseado no trabalho físico dos atores ou calcado no texto. O recorte que a reportagem acompanhou na última semana do festival comprova essa opção.

Da Alemanha, a cia. Marc Schnittger trouxe a inventiva e delicada Life.Stories. Ao movimentar títeres de luvas, dois atores desdobram-se no palco para compor quase uma dezena de personagens e criar uma teia de situações cotidianas, em que 30 historietas se entrelaçam.

Com um quê de cinematográfico, a montagem faz lembrar a fragmentação de Robert Altman em Short Cuts. E o espectador, tal como se fosse guiado por uma câmera, é levado a conhecer episódios prosaicos da vida de um motorista de táxi, de uma atriz pornô e de um mendigo.

Em direção oposta, seguem os chilenos do Teatro en el Blanco, que trouxeram ao festival duas montagens - Diciembre e Neva - em que a dramaturgia baseia-se essencialmente no texto.

Diciembre serve-se de uma situação hipotética - uma guerra entre Chile e Peru travada em 2014 - para acompanhar a turbulenta noite de Natal de três irmãos. Já Neva volta os olhos para o passado e revê a trajetória da atriz Olga Knipper, viúva de Chekhov, que tenta se reerguer após a morte do escritor.

O drama é, em sua aparência, privado, mas nele ressoam ecos da revolução que se aproximava da Rússia. Nos trabalhos, que já passaram por São Paulo no ano passado, direção e roteiro estão a cargo de Guillermo Calderón, um dos mais promissores nomes do cenário latino-americano.

Da América Latina, aliás, veio parte consistente dessa 42.ª edição do Festival de Londrina. Além do Teatro en el Blanco, o Chile também foi representado por El Último Heredero, espetáculo da cia. Teatro Viaje Inmóvil, e por La Vida Privada, drama de Marco Antonio de La Parra. Com texto de Bernard-Marie Koltès, o ator argentino Mike Amigorena trouxe uma versão para o monólogo La Noche Antes de los Bosques.

Sem estreias, a seleção nacional não surpreendeu e privilegiou espetáculos do Sudeste, em especial do eixo Rio-São Paulo. Optou por bons trabalhos, como o premiado Memória da Cana, do paulistano Os Fofos Encenam; o monólogo Doido, de Elias Andreatto; e o lírico Aqueles Dois, da cia. mineira Luna Lunera, mas careceu de certa dose ousadia.

Outra possibilidade em estudo para o ano que vem seria o desmembramento da mostra em dois períodos. "Às vezes, é complicado estender um festival por quase três semanas, ele costuma perder força", considera o curador.

Clique aqui para ler na íntegra

Fonte:Estadão

Foto:Divulgação

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