Orquestra formada em São Paulo por refugiados lança álbum ao vivo valorizado pela pluralidade étnica

Compartilhar :  

Postado em: 04 / 07 / 2018 [11:22 am]

 
 
 
Geralmente involuntários, por conta de perseguições políticas ou de calamidades ambientais, os exílios de povos que partem das terras natais para outros países estão tendo impacto no mundo todo. Inclusive no mundo da música, forma de arte que desconhece fronteiras pelas linguagem universal dos acordes.
 
O álbum ora lançado neste mês de julho de 2018 pela Orquestra Mundana Refugi, através do Selo Sesc, é produto desses fluxos migratórios que estão se tornando cada vez mais frequentes no conturbado mundo contemporâneo. A orquestra foi formada na cidade de São Paulo (SP) por cantores e músicos refugiados – oriundos de países como Congo, Cuba, França, Guiné-Conacri, Haiti, Irã, Palestina e Síria – com instrumentistas e cantores do Brasil.
 
A pluralidade étnica da formação da orquestra se reflete nos sons ouvidos ao longo das 10 músicas que compõem o repertório do disco gravado ao vivo em 5 e 6 de agosto de 2017 em duas apresentações da Orquestra Mundana Refugi no Teatro Anchieta, do Sesc Consolação, na cidade de São Paulo (SP).

Capa do álbum 'Orquestra Mundana Refugi' (Foto: Divulgação / Selo Sesc)
 
Foi nessa unidade do Sesc, aliás, que a orquestra foi formada, dentro do projeto Refugi, idealizado pelo músico e compositor Carlinhos Antunes e pela produtora e assistente social Cleo Miranda para oferecer oficinas musicais gratuitas para imigrantes e refugiados radicados na metrópole paulistana.
 
Antunes é o compositor da maioria das músicas do disco, caso de Ayacucho, tema batizado com o nome de região do Peru. Mas há composições de nacionalidades estrangeiras. Composta pelo músico tunisiano Raouf Jemni no ritmo do samaai, gênero musical árabe, Samai Atlântico é um dessas músicas que promovem a integração do Brasil com sons de outras pátrias.
 
A diversidade étnica do álbum Orquestra Mundana Refugi também fica evidenciada pelos toques de instrumentos estrangeiros como kemanche (a cargo de Arash Azadeh, do Irã), cítara de martelo (da China), kanun árabe e bouzouki (tocado por Yousef Saif, da Palestina).
 
Nessa babel musical, os sons do Brasil se fazem ouvir ao longo do disco através de vozes como a da cantora brasileira Paula Mirhan e do toque de músicos como o acordeonista Daniel Muller. Até a canção Cajuína, composta por Caetano Veloso e lançada em disco em 1979, aparece no repertório, entremeada com os temas tradicionais da Andaluzia, do Irã e da Palestina que compõem, no roteiro do show captado ao vivo, a suíte intitulada Trilogia.
 
Em suma, a Orquestra Refugi toca a música do mundo, sob a direção artística de Carlinhos Antunes, sem os muros (reais ou figurados) e as perseguições que provocam diásporas.
 
Fonte: G1