No Festival do Rio, Miguel Falabella lança 2º filme como diretor, gravado em só 28 dias

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Postado em: 12 / 12 / 2019 [01:06 am]

 
 
Na noite desta quarta-feira (12), o Festival do Rio recebeu uma sessão especial com convidados do filme "Veneza", dirigido e escrito por Miguel Falabella. Após exibição no evento, o longa só deve estrear oficialmente em 2020.
 
Passaram pelo tapete vermelho Eduardo Moscovis, Caio Manhente, André Mattos, Dira Paes e Danielle Winits, além de Falabella. O G1 conversou com todos eles (Veja no vídeo acima).
 
"Veneza" conta a história da cafetina Gringa (interpretada pela musa dos filmes de Pedro Almodóvar, Carmem Maura). Ela deseja voltar à cidade-título do filme, onde pretende se encontrar com o único homem que amou.
 
Para isso, conta com a ajuda de várias pessoas, como as mulheres que trabalham em seu prostíbulo, vividas por Paes, Winitis e Carol Castro (premiada em Gramado por este papel, mas que não estava na sessão de gala) e o faz-tudo vivido por Moscovis.
 
Falabella contou que teve a ideia de fazer "Veneza" após produzir uma peça estrelada por Arlete Salles e Laura Cardoso, inspirada na peça de teatro homônima escrita pelo argentino Jorge Accame.
 
O cineasta bissexto disse que levou 20 anos para finalizar sua ideia, porque acha ser difícil fazer cinema no Brasil. "Eu fiz 'Polaroides Urbanas' e aí dez anos depois consegui voltar a filmar. Desse jeito, não vou conseguir fazer muitos filmes mais. Tinha apenas 28 dias para fazer esse filme e eu acho que fiz bonito", conta o diretor.
 
Aproveitando Carmem Maura
Miguel Falabella disse que escolheu a espanhola Carmen Maura para interpretar Gringa porque como as outras atrizes com quem já trabalhou, como Marília Pera, pronta para dar o seu melhor todos os dias "Ela foi de uma generosidade, de um carinho comigo que eu jamais serei capaz de retribuir. Ela gostou do roteiro, quis viver a experiência e nós vivemos uma linda experiência juntos."
 
Quem também adorou ter trabalhado com Carmen Maura foram os atores e atrizes brasileiros. Dira Paes, que interpreta a prostituta Rita, disse que ter a proximidade de contracenar com ela foi um privilégio e uma honra ao mesmo tempo:
 
"Eu me peguei várias vezes observando ela ensaiando com o Miguel, observei várias vezes as opiniões dela sobre a nossa profissão. Então eu aproveitei a Carmen".
 
Eduardo Moscovis, que vive o personagem Tonho, compartilha da mesma opinião da colega. "A gente falava de Carmen Maura em cena, assim: 'Você viu o que ela fez?'", disse o ator, rindo.
 
Acostumado a trabalhar com um certo grupo de atrizes, Falabella resolveu chamar uma que ainda não tinha participado de nenhum projeto dele. Assim, ele resolveu convidar Dira Paes por achar que ela sempre foi uma paixão.
 
"Sempre achei ela fabulosa. Mas a gente precisa se encontrar numa coisa para ela. Eu gosto de escrever para atores específicos, às vezes no final troca. Mas no geral já escuto o ator falando o texto", afirmou Falabella.
 
Dira retribuiu os elogios feitos pelo diretor e disse que ficou muito feliz por ter sido lembrada por ele. "Quando o meu telefone tocou dizendo que era o Miguel Falabella que iria me oferecer um personagem no filme dele, que ele pensava em mim quando ele escrevia, eu juro, aquilo me deu uma emoção. E eu acho que foi um privilégio unir tantas pessoas num projeto como 'Veneza'".
 
Outro "novato" no grupo de Falabella foi o jovem Caio Manhente, que vive Julio. Bastante conhecido por sua participação na série infantil "D.P.A. - Detetives do Prédio Azul", Caio interpreta um rapaz que se envolve com Madalena, vivida por Carol Castro.
 
"Os dois vivem um amor genuíno e muito louco ao mesmo tempo. A gente tem cenas bem fortes no filme. É um personagem da maturidade", disse Caio, que logo depois se corrigiu: "Maturidade é forte. Mas da minha juventude como ator. Eu aprendi muito fazendo. Aos poucos a gente tem que deixar de ser detetive, né? Vamos indo!", comentou, rindo.
 
Já Danielle Winits, parceira recorrente de Falabella, destacou a personalidade contrastante de Jerusa, uma das "meninas" de Gringa.
 
"Jerusa é uma mulher deste universo no meio do nada e uma mulher triste, porém uma tristeza alegre. Ela é mais uma dessas mulheres sonhadoras e fortes porém com aquela coisa da vida que foi difíl, mas que elas não deixam de sonhar", disse a atriz.
 
"Cinema é fundamental", segundo Falabella
Como não poderia deixar de ser, o diretor e o elenco de "Veneza" também falou dos problemas que os organizadores do Festival do Rio, que acontece até o dia 19 de dezembro, enfrentaram para que o evento não deixasse de acontecer em 2019.
 
Para Miguel Falabella, é fundamental que o público prestigie o cinema "porque ele gera empregos. Em última análise, gera civilização. Que é o que nós queremos. A barbárie, espero eu, ficou pra trás. Vamos construir civilização numa boa. Então acho que cinema é fundamental", declarou Falabella.
 
Já os atores de "Veneza" acreditam que estar exibindo o filme após todos os percalços que surgiram é uma verdadeira vitória. Danielle Winits, por exemplo, disse que estar ali, mais do que nunca, é uma batalha vencida.
 
"O que importa é o que a gente conseguiu, que esse festival foi feito graças ao entendimento das pessoas da suma importância que tem a cultura nacional pra esse país. Esse abraço para o cinema é fundamental hoje e sempre. Mas hoje tá sendo muito especial", afirmou a atriz.
 
A opinião de Winitis é compartilhada por seus colegas. Dira Paes declarou que não dá para pensar no Rio de Janeiro sem o Festival. "Essa mobilização de 2019 só reforça o quanto nós queremos e desejamos um festival internacional no Rio de Janeiro. Eu acho que é uma cidade que combina com o cinema, é uma cidade cinematográfica", disse Dira.
 
Eduardo Moscovis se disse aliviado que o Festival está acontecendo na cidade. Para ele, lançar "Veneza" durante o evento é um suspiro, um alento. Mas que deixa toda a classe muito mais fortalecida. "A gente não vai esmorecer, pelo bem de todos", declarou o ator.
 
Caio Manhente foi o mais incisivo ao falar sobre a produção de cinema no Brasil: "A gente tem que saber que o audiovisual brasileiro é uma coisa séria, feita com gente séria. E viva o Festival do Rio!"
 
Fonte: G1