Mulheres compositoras se reúnem para reivindicar espaço em área dominada pelos homens

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Postado em: 08 / 04 / 2019 [01:12 am]

 
 
Depois de iniciar a carreira como intérprete, Zélia Duncan começou a compor as próprias músicas como se atendesse a um chamado.
 
— Sempre cantei, mas foi por meio das minhas palavras que fiquei mais singular e encontrei um público que me dá ouvidos — diz Zélia.
 
Assumir essa posição no cenário musical brasileiro não é necessariamente fácil. Um recente levantamento feito pela União Brasileira de Compositores (UBC) mostrou que os valores médios arrecadados por compositoras são 28% menores que os dos homens; do total recebido em direitos autorais pela entidade, 91% vão para eles.
 
Em meio a inciativas para mudar essa realidade, a UBC organizou uma reunião com as maiores interessadas no tema, unindo de uma vez só Zélia Duncan, Ana Cañas, Fernanda Takai, Tulipa Ruiz, Isabela Taviani, Clarice Falcão, Liniker, Lucy Alves, Luedji Luna e MC Carol para debaterem o assunto.
 
— A experiência de uma sempre ajuda as outras. Tenho aprendido muito com as feministas jovens, que enfrentam e lutam por um mundo mais igual. Especialmente com as mulheres negras — comenta Zélia.
 
Diretor executivo da UBC, Marcelo Castello Branco já vislumbra uma mudança de cenário no horizonte e acredita que a própria postura das artistas impulsionará esse redesenho:
 
— Com ações como essa, queremos ter mais adesão das mulheres à composição. E percebemos que isso já acontece, sobretudo, com a geração mais jovem, que começa compondo.
 
A cantora e compositora Luedji Luna é uma delas.
 
— A mulher sempre ficou muito nesse lugar da diva, da intérprete que cantava apenas o discurso e a narrativa de um homem — afirma, comentando o que muda quando elas assumem a autoria de seus trabalhos. — Quebramos essa hegemonia de discurso único, com os homens falando por nós e sobre nós. Hoje a gente produz a nossa poesia e temos a nossa escuta.
 
Fonte: O Globo