Mônica Martelli fala sobre quebra de paradigmas familiares do filme "Minha Vida em Marte"

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Postado em: 26 / 12 / 2018 [01:35 am]

 
 
 
 
“Ah, Júlia, peraí, você tirou o termômetro. Fica com o braço quieto, assim, deitadinha. Desculpa”. Mônica Martelli tinha acabado de chegar em sua casa no Rio, quando viu que sua filha estava febril.
 
A carioca de 50 anos se divide em mãe e atriz divulgando o filme “Minha Vida em Marte” durante a entrevista ao G1.
 
O longa é a continuação do sucesso de bilheteria “Os Homens São de Marte… E É Pra Lá Que Eu Vou” (2014). Paulo Gustavo segue no elenco e vira protagonista com Mônica no filme que estreia nesta terça-feira (25).
 
No primeiro, Fernanda queria encontrar um amor. Agora, a questão gira em torno de sua separação. E em tempos de discussão sobre empoderamento feminino, Mônica observa:
 
“você vê ali uma mulher que rompe um casamento aos 45 anos com uma filha pequena, ou seja, não temos que aturar tudo em uma relação em nome de um projeto família feliz.”
Amigo e irmã no set
Como todo melhor amigo que se preze, Aníbal, vivido por Paulo Gustavo, está ao seu lado em todos os momentos e essa relação de cumplicidade preenche boa parte do filme.
 
“Conseguimos levar a sintonia que a gente tem na vida para tela. Qualquer cena ali poderia ter acontecido com a gente”.
 
Misturar família com trabalho pode ser um problema para algumas pessoas, mas para Mônica nunca foi. Susana Garcia é sua irmã e dirige tanto suas peças quanto seus dois filmes.
 
“É um casamento perfeito de trabalho. Ela me conhece muito, conhece a fundo essa personagem, então basta um olhar no set que ela fala 'é, não rolou, né?'. Ela conseguiu tirar o nosso melhor."
 
Mônica conta que antes das estreias fica insegura e com expectativa, mas tenta encarar com naturalidade. “Nossa principal preocupação é se estamos nos divertindo e gostando. Se sim, o público gosta”.
 
Relato no 'Saia Justa'
Mônica reconhece hoje que sua primeira vez pode ser considerada um estupro. A tomada de consciência aconteceu em um dos episódios do "Saia Justa", programa que apresenta na GNT, há dois anos. Ela até lembrar de falar "Gente, peraí. Se estupro é isso, então fui estuprada."
 
“De três anos pra cá houve todo um movimento com as campanhas 'Meu primeiro assédio', 'Mexeu com uma mexeu com todas', que fizeram com que as mulheres tomassem consciência do que significa assédio.”
 
A situação aconteceu com seu namorado na época, por quem era apaixonada e ela faz questão de frisar isso. “Para mim era normal. Eu estava de biquíni no luau na praia, meu namorado tentou, eu não queria, mas rolou. O fato de forçar, mesmo sem eu querer, estava totalmente dentro do papel do homem naquela época.”
 
Ela entende que a importância da sua fala se refere a consciência que as mulheres tem hoje de que 
“não é não”. Ao pensar sobre a sua filha, Júlia, de 9 anos, ela diz “hoje ela não vai mais passar por isso.”
 
Depois de ver que a pequena estava realmente com febre, Mônica deu remédio, impediu que uma bala estragasse o almoço e ainda trocou a roupa da menina. Isso durante nossa conversa de 25 minutos.
 
“Olha o que a gente faz né? Um homem falaria 'olha, espera um minutinho, me liga daqui a meia hora.' Eu fiz tudo isso dando entrevista para você e ainda tô aqui falando da mulher empoderada. É uma doideira”, ela diz rindo, ao se despedir.
 
*Com supervisão de Braulio Lorentz
 
Fonte: G1