Fabrício Boliveira fala sobre viver Wilson Simonal em filme: 'A 1ª vítima do que se convencionou chamar de fake news'

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Postado em: 22 / 08 / 2018 [12:08 pm]

Uma parte da mente de Fabrício Boliveira está em Roberval, personagem central de "Segundo sol", novela das 21h da TV Globo. A outra parte está em Wilson Simonal (1938-2000), um dos principais nomes da história da Música Popular Brasileira. O ator é o protagonista de "Simonal", filme de estreia do diretor Leonardo Domingues.
 
O longa foi apresentado na noite desta segunda-feira (20), na mostra competitiva da 46ª edição do Festival de Cinema de Gramado. Também programado para o próximo Festival do Rio, "Simonal" vai chegar ao circuito comercial em 2019.
 
Trata-se de um resumo de pouco mais de duas horas da vida do cantor – do início da carreira aos anos de decadência. Entre um período e outro, o afastamento do mundo artístico.
 
"O que aconteceu com o Simonal foi impressionante e assustador. Ele é a grande primeira vítima do que hoje se convencionou chamar de 'fake news'", afirmou Boliveira em entrevista ao G1 durante evento para balanço dos 100 primeiros capítulso de "Segundo sol".
 
"Todo o processo para poder interpretá-lo, o mergulho que precisei fazer em sua vida e carreira, são coisas das quais eu nunca mais vou me esquecer."
 
Conhecido por músicas como "Meu Limão, meu limoeiro" e "Sá Marina", Wilson Simonal acabou sendo acusado pelo Ministério Público por suspeita de ordenar a tortura de seu contador, Rafael Viviani.
 
O cantor suspeitava que Viviani fazia desfalques irregulares em sua empresa – algo que jamais foi comprovado. Por esse motivo, o artista acabou condenado a seis meses de prisão, cumpridos em regime aberto.
 
A suspeita de que Simonal era um colaborador do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), um dos órgãos mais brutais da ditadura militar, algo também jamais comprovado, praticamente acabou com sua carreira, a partir do início dos anos 1970.
 
Encontrando resistência e desconfiança de sua própria classe, de gravadoras, de parte dos meios de comunicação e também de donos de casas de espetáculos, que se recusavam a escalá-lo, Simonal entrou em uma espécie de isolamento artístico. Continuou gravando discos, mas sem o mesmo sucesso de antes.
 
Com problemas de alcoolismo, Simonal morreu em 25 de julho de 2000, em decorrência de problemas hepáticos.
 
"Precisávamos contar a história de Simonal. A maioria das pessoas nem sequer conhece os fatos da vida dele e, mesmo assim, o julgam. Temos que fechar esse buraco que ficou na história da música brasileira", disse Boliveira.
 
Personagem complexo
Enquanto aguarda a estreia de "Simonal" – e ainda colhe o reconhecimento por um dos papéis principais de "Tungstênio", de Heitor Dhália, lançado nos cinemas em junho –, Fabrício experimenta a complexidade de Roberval em "Segundo sol", escrita por João Emanuel Carneiro, mesmo autor de "Avenida Brasil".
 
"É um personagem muito complexo, muito rico. Um homem que sempre quis mais e que, ao mesmo tempo, também sofreu bastante – a vida foi muito dura com o Roberval", afirmou o autor sobre seu personagem na novela das 21h.
 
"E é incrível como as coisas dão errado para ele. Há muita profundidade e aspectos a serem explorados naquela personalidade."
 
Fonte: G1