São Paulo Com texto denso e poético, "À Espera" estreia, com direção de Hugo Coelho (SP)

Postado por : Verbena Comunicação

Informações

Com direção de Hugo Coelho e texto de Sérgio Roveri, o espetáculo À Espera, tem elenco formado por Ella Bellissoni, Jean Dandrah e Regina Maria Remencius. A história traz três personagens que podem estar em qualquer lugar, em qualquer tempo: duas mulheres, sem nenhum tipo de memória acordam todos os dias na mesma hora, à espera de algo – até que recebem a visita inesperada de um homem que veio comemorar um aniversário.
 
A ação acontece no despertar do que deveria ser um sono profundo, Uma (Remencius) e Outra (Bellissoni) se deparam com o sol que insiste em nascer todos os dias, numa indecifrável realidade. Uma é a mais velha. Não anda, vive na cadeira de rodas, não dorme nunca, não sonha e gosta de falar. À noite, conta os pingos que caem de uma torneira e, durante o dia, ocupa-se ouvindo relatos dos sonhos de Outra. Uma não tem memória, nem lembrança do passado. Outra é jovem e cuida de Uma. Sente medo. Dorme, sonha e inventa sonhos para entreter Uma. Ela também não tem memória de quem foi. Ambas não sabem como foram parar ali e esperam que um dia haja explicação para tamanha espera.
 
Ele (Dandrah) chega sem avisar para uma festa de aniversário, trazendo duas garrafas de bebida, a promessa de um bolo e algumas histórias. Ele conta que em uma festa já foi capaz de cantar 137 vezes uma mesma canção. Logo após sua chegada, Outra aproveita para sair e conhecer o mundo lá fora, e volta com algumas respostas. 
 
Sérgio Roveri diz que o texto, escrito há cerca de dois anos, foi inspirado em uma imagem do juízo final que sempre o perseguiu, desde criança. “Como seria acordar em um (não) lugar apocalíptico e nada acontecer? Embora não saibam exatamente o que estão fazendo ali, os personagens têm as mesmas inquietações, têm a consciência de que haja algum propósito. Estariam aguardando o tal dia do juízo final?”. Ele explica ainda que, nessa espera atemporal, o que os une talvez seja a esperança. “Eles podem representar o fim, mas nada impede que seja também um início. Ainda que o juízo final seja um conceito muito ligado à religião, não é esta particularidade que o texto aborda, completa o autor”.
 
Ao contrário do que seria um espetáculo realista, À Espera coloca o espectador diante da intrigante historia dessas personagens que se encontram em lugar e tempo indefinidos. “Apesar de não terem qualquer pista que as remetam a alguma ideia de tempo e identidade, essas mulheres não se desesperam”, diz Bellissoni. “Ao levar uma existência misteriosamente rotineira, acreditam que algo maior está por acontecer, que alguma coisa pode alterar ou mesmo dar um sentido a um cotidiano tão vazio. Não é uma espera por acomodação. Não tem outra possibilidade”, diz Remencius. 
 
Embora se encontrem em uma situação de contornos extremados, os três personagens podem ser uma metáfora do ser humano diante do risco, do perigo, do desconhecido e, principalmente, diante da necessidade de reconstrução. Abordando a impossibilidade de entendimento da vida, do significado da nossa existência, a peça questiona dois caminhos possíveis, o da desistência ou da possibilidade de enfrentá-la. Para o diretor Hugo Coelho, “À Espera é um texto que induz à reflexão. Não reafirma certezas, propõe questionamentos sobre nossos posicionamentos diante da vida, fazendo do teatro um espaço de reflexão crítica sobre a realidade. A falta de memória - dos personagens assim como da nossa história - nos impossibilita de construirmos uma identidade e decidirmos o nosso destino”. 
 

FICHA TÉCNICA
Texto: Sergio Roveri. Direção: Hugo Coelho. Elenco: Ella Bellissoni, Jean Dandrah e Regina Maria Remencius. Cenário: David Schumaker. Iluminação: Fran Barros. Design de aparência de atores: Adriana Vaz Ramos. Música original, produção musical e desenho de som: Ricardo Severo e Rafael Thomazini. Assistência de direção: Fernanda Lorenzoni e Larissa Matheus. Direção de produção: Fernanda Moura. Produção: Palimpsesto Produções Artísticas. Assistência de produção: Fernanda Ramos. Fotos: Heloísa Bortz. Identidade visual: Denise Bacellar. Mídias sociais: Verá Papini. Assessoria de imprensa: Verbena Comunicação. Realização: Ella Bellissoni, RMR Produção Artística e Núcleo 137.

SERVIÇO
À Espera Estreia: 8 de junho. Quinta, às 20h Oficina Cultural Oswald de Andrade (Sala 7) Rua Três Rios, 363 - Bom Retiro - São Paulo/SP Tel: (11) 3221¬5558. Capacidade: 30 lugares. Temporada: 8 de junho a 21 de julho Horários: Quintas e sextas (às 20h) e sábados (às 18h) Ingressos: Grátis - Retirar com 1h de antecedência. Classificação: de 14 anos. Gênero: Drama. Duração: 60 min. http://www.oficinasculturais.org.br/oswald-de-andrade

Data da publicação: 14/05/2018
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