Autores e editores fazem manifesto contra censura na Bienal do Livro do Rio

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Postado em: 09 / 09 / 2019 [01:29 am]

 
Autores e editores que expuseram obras na Bienal do Livro do Rio fizeram, na tarde deste domingo (8), um manifesto contra a censura. A 19ª edição termina neste domingo.
 
Neste domingo, o STF derrubou uma liminar do Tribunal de Justiça do RJ que permitia o recolhimento de livros com temática LGBTQ.
 
Na última quinta-feira (5), o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, determinou o recolhimento de exemplares do romance gráfico "Vingadores, a cruzada das crianças" (Salvat), que tem a imagem de um beijo entre dois personagens masculinos.
 
Laurentino Gomes e Thalita Rebouças, dois dos autores do manifesto, afirmaram que a ideia veio no mesmo momento em que fiscais da Secretaria de Ordem Pública (Seop) estavam no evento para tentar recolher as publicações.
 
"Foi bem assustador. Estávamos eu, o Laurentino e o Pedro Bandeira, e a gente falou: 'A gente precisa fazer alguma coisa'. Nós, autores, não podemos nos calar agora”, disse Thalita Rebouças.
 
Os autores vão gravar um manifesto com partes da canção “Apesar de Você”, de Chico Buarque, um dos símbolos da luta contra a ditadura militar no Brasil.
 
Laurentino Gomes comemorou a decisão de Toffoli de suspender a decisão de recolher livros:
 
"Eu fiquei muito animado. Significa que ainda existe alguma serenidade, alguma racionalidade no Brasil”, disse ele.
 
O autor classificou esta como a melhor Bienal dos últimos anos e falou sobre a ação da prefeitura.
 
“Fomos confrontados com uma atitude obscurantista, de censura, de repressão à criação literária. Esta Bienal é um símbolo do que o Brasil de hoje está enfrentando”, avaliou Gomes.
 
Quem assina o documento
Babi Dewt
Bruna Vieira
Carina Rissi
Clara Alves
Eric Novelo
Fabrício Carpinejar
Felipe Neto
Laurentino Gomes
Lázaro Ramos
Lucas Rocha
Luly Trigo
Matheus Rocha
Matheus Souza
Pam Gonçalves
Pedro Bandeira
Thalita Rebouças
Vitor Martins
 
Linha do tempo
 
QUINTA (5)
  • À noite, Crivella diz que vai mandar recolher exemplares de "Vingadores, a cruzada das crianças". "Pessoal, precisamos proteger as nossas crianças. Por isso, determinamos que os organizadores da Bienal recolhessem os livros com conteúdos impróprios para menores. Não é correto que elas tenham acesso precoce a assuntos que não estão de acordo com suas idades", disse o prefeito.
  • Bienal diz que não vai retirar livros e que dá "voz a todos os públicos".
     
SEXTA (6)
  • Em 39 minutos, todos os exemplares se esgotam em pouco mais de meia hora.
  • À tarde, fiscais da prefeitura vão à Bienal para identificar e lacrar livros considerados "impróprios".
  • Bienal recorre à Justiça para garantir "pleno funcionamento do evento".
  • À noite, desembargador concede liminar em favor da feira.
  • OAB diz que prefeitura não tem poder para recolher livros.
  • Fiscalização não encontra conteúdo em 'desacordo com a legislação'.
 
SÁBADO (7)
  • Pela manhã, a equipe do youtuber Felipe Neto doa 14 mil livros com temática LGBT que estavam à venda na Bienal.
  • À tarde, nova decisão do TJ-RJ derruba a liminar e permite o recolhimento de livros com temática LGBT para o público jovem e infantil que não estejam lacrados.
  • Fiscais retornam aos pavilhões e anunciam uma varredura à paisana.
  • À noite, público da Bienal faz 'beijaço' contra ordem de Crivella para apreender livros e grita palavras de ordem contra o prefeito.
  • A Seop alega não ter encontrado nada de irregular.
  • Decano do STF, o ministro Celso de Mello classificou a censura a livros da Bienal do Rio como "fato gravíssimo".
 
DOMINGO (8)
  • De manhã, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a Bienal funcione sem o risco de "censura genérica" de Crivella.
  • Presidente do STF, Dias Toffoli suspende decisão judicial que permitia apreensão de livros na Bienal. Em outra decisão, Gilmar Mendes ratifica a liberdade de discurso.
  • À tarde, a prefeitura anuncia um recurso ao Supremo.
  • Autores declaram que vão gravar um manifesto contra Crivella.
 
Fonte: G1