52º Festival de Cinema de Brasília: 'Piedade', de Cláudio Assis, estreia nacionalmente na Mostra Competitiva

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Postado em: 25 / 11 / 2019 [12:15 pm]

O novo filme do pernambucano Cláudio Assis, “Piedade”, foi lançado nacionalmente neste sábado (23), no segundo dia do 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.
 
O longa-metragem foi exibido após dois curtas dirigidos por mulheres, na estreia da Mostra Competitiva (veja entrevista com diretores e atores abaixo). Segundo Assis, a previsão é que o filme entre em cartaz nas salas de cinema do país no começo do ano que vem.
 
Antes de “Piedade” rodar, o público do Cine Brasília assistiu a “Alfazema”, um filme metalinguístico da carioca Sabrina Fidalgo que explora, de forma divertida, novas linguagens narrativas e estéticas do audiovisual. O filme contou com Bruna Linzmeyer e Elisa Lucinda no elenco – além da própria diretora.
 
“Cinema é o lugar pra você brincar, é o lugar do lúdico. Quando faço meus filmes, principalmente esse, a gente fala, brincando, sobre várias coisas”, disse ao G1. “A gente está vivendo um momento absolutamente difícil na questão de fomento e captação de recursos.”
 
“É muito complicado viver num país onde o próprio governo vira as costas pra cultura. A gente vai fazer com ou sem dinheiro. O show não pode parar.”
 
Antes da exibição, ela subiu ao palco e relembrou o protesto do ator brasiliense Marcelo Pelucio na cerimônia de abertura do festival. “É muito importante prezar pela liberdade de expressão, acima de tudo. A gente tem que se posicionar, sim.”
 
“A gente tem que falar pro mundo o que está acontecendo, exigir o direito de acesso à arte e à cultura. Um país sem isso está longe da civilização.”
 
'Carne'
Em seguida, foi a vez da animação “Carne”, de Camila Kater. O curta aborda o corpo feminino como objeto de consumo a partir da perspectiva de mulheres com diferentes identidades, trajetórias e vivências.
 
Enquanto elas mesmas narram as experiências de vida – na carne negra, gorda, lésbica, trans, idosa – desenhos de diferentes ilustradores reconstroem os relatos.
 
'Piedade'
Na competição dos longas, “Piedade” abriu caminho. O filme de Cláudio Assis tem como fio condutor a construção do Porto de Suape, na década de 1980 em Recife, e os impactos gerados no meio-ambiente – incluindo a mudança de comportamento dos tubarões, que nadavam até as praias em busca de alimento.
 
Assis aborda a questão como quem tem conhecimento de causa e fala sobre a “triste coincidência” do lançamento do filme ocorrer durante a crise no litoral brasileiro provocada por um derramamento de óleo.
 
“É uma luta que lutei quando era adolescente, pra não construir o porto. E trata de uma questão familiar, um drama que eu vivi na minha vida também.”
 
No entanto, este cenário é apenas o pano de fundo para uma crítica que se pretende maior, segundo Matheus Nachtergaele, que interpreta o vilão da história: o advogado de uma petroleira que tenta convencer a comunidade da praia a vender seus terrenos.
 
“Era sobre o avanço da indústria petroleira representando o ultra-capitalismo na vida afetiva das pessoas. O avanço do interesse econômico sobre o afeto”, refletiu. “Será que os países vão ser pra sempre um negócio e não um lar?”
 
“Esse é um filme desolador. Uma constatação de que estamos numa sinuca de bico na maneira como vamos caminhar pro futuro, como povo e como indivíduos.”
 
Além de Nachtergaele, fazem parte do elenco Fernanda Montenegro, Cauã Reymond, Irandhir Santos e Gabriel Leone.
 
O Festival de Cinema de Brasília segue até 1º de dezembro com programação no Cine Brasília e em sete regiões administrativas. Em Samambaia, Planaltina e Recanto das Emas, ocorrem exibições das mostras competitivas e a reprise dos filmes é passada, sempre, no Museu Nacional da República.
 
Fonte: G1