São Paulo "Pandas, ou era uma vez em Frankfurt", inspirada na obra de Matéi Visniec é uma experiência teatral

Postado por : Assessoria de Imprensa Pombo Correio - Douglas

Informações

A equipe de criação prefere não chamar de teatro. Com vasta experiência nos palcos, Mauro Schames e Nicole Cordery (elenco) e Bruno Kott (direção e dramaturgismo) se organizaram para estrear um trabalho na plataforma Zoom, que é mais do que uma leitura. Pandas, ou era uma vez em Frankfurt é uma experiência teatral online ao vivo, que foi concebida durante e para a quarentena da Covid-19 com os artistas envolvidos isolados em suas casas.

 

A experiência teatral online é uma adaptação do texto teatral História do Urso Panda (contada por um saxofonista que tem uma namorada em Frankfurt), do dramaturgo romeno Matéi Visnic.

 

“Está sendo uma aventura doida, mas, acima de tudo, estimulante”, conta a atriz Nicole Cordery, que foi apresentada ao texto pelo Mauro Schames, que teve a ideia de fazer esse projeto para o Edital do Itaú Cultural. Juntos, fazendo a leitura do texto pelo aplicativo Zoom, decidiram que precisavam de um diretor. É aí que entra Bruno Kott, por indicação do Mauro – Nicole e Bruno, por exemplo, não se conhecem ao vivo até hoje. 

 

Bruno Kott chegou com uma proposta de diminuir o texto (a apresentação tem 40 minutos de duração) e trouxe conhecimentos tecnológicos e uma proposta estética para a história. “Mergulhamos profundamente em ensaios diários. Tínhamos menos de uma semana para produzir uma filmagem deste texto, que não fosse uma leitura. Falei com o autor Matéi Visniec por e-mail, que respondeu prontamente e nos mandou uma carta dizendo estar de acordo com a nossa experiência”, conta Nicole.

 

Ensaios longos diários, estudo de texto, pesquisa de linguagem, crises dos atores, medo da capacidade de se adequar a tantas mudanças. “Como manter a teatralidade inerente ao texto estando a um palmo de uma câmera?”, fala Nicole sobre suas aflições durante processo.  Muito trabalho diário, muito estudo e muita repetição.

 

Sobre a direção, por Bruno Kott

O texto original de Matei Visniec fala sobre a relação de um homem com a morte (simbolicamente expressada pela mulher). Este projeto começou neste contexto estranho onde o medo e a insegurança sobre o futuro se instauraram. Entendo esses dois sentimentos como pequenas mortes, principalmente sobre o falso controle do futuro.

 

Como contrapartida, o próprio autor sugere um ambiente cômico, que inclusive permeou toda a minha adaptação do texto e fica visível na estética dos cenários, figurino e sonoplastia (onde temos o prazer de utilizar um trecho do filme “O bandido da luz vermelha” de Rogerio Sganzerla de 1968, em que indica que terceiro mundo vai explodir!). 

 

Penso que o humor é um caminho para a reflexão de temas existenciais; uma porta especial afetuosa.  Optamos por imagens nonsense, que quebrassem o código do realismo, que servissem como gatilho para um entendimento menos racional, e mesmo com atores atuando num fundo infinito para a câmera do notebook, não trouxessem uma atmosfera cinematográfica, mas sim, teatral. O que me guiou para essa narrativa tanto dramatúrgica quanto estética, foi a teoria do multiverso, que explora realidades paralelas como uma opção de existência.

 

O online é uma realidade paralela. Ele já é uma forma de vida única, com símbolos próprios. Na experiência teatral online, exploramos esses símbolos através de stories, referências pop, mesclado com textos autorais sobre essa sensação latente de solidão dos tempos atuais. A arte tem um poder forte de subversão. Ao ocupar uma ferramenta de reunião on-line para fazer teatro, sinto que estamos pensando em novas possibilidades de resistência. Uma comédia para sorrir de si. O ponto de identificação é o vazio, e o vazio pode ser o espaço para o novo.

 

E, agora, com vocês: Pandas, ou era uma vez em Frankfurt

 

O projeto não ganhou o edital do Itaú Cultural. Tarde demais. Mauro, Nicole e Bruno já estavam tão envolvidos com essa experiência que não cogitaram não apresentá-la. Decidiram fazer ao vivo, duas vezes por semana pelo aplicativo Zoom. Abriram para poucos amigos, sentiram uma boa repercussão e agora é hora de mostrar para o público. Quem quiser assistir, é só reservar um lugar e será recebido pelo diretor na sala com as recomendações. A experiência acontece no esquema Pague Quanto Puder e toda a renda é revertida para o Fundo Marlene Colé. 

 

Os microfones do público ficam ligados durante o espetáculo – assim é possível acompanhar a reação da plateia. Enquanto isso, Mauro e Nicole estão, cada um em sua casa, fazendo alongamento, aquecimento, limpeza vocal e maquiagem. Toca o terceiro sinal, todos com os celulares desligados em um lugar silencioso e a experiencia teatral se (re)inicia.

 

Sobre o Fundo Marlene Colé

O Fundo começou pequeno, com os amigos participantes depositando mensalmente  com quantias que foram relevantes na ajuda a diversos profissionais que tiveram a oportunidade de serem apoiados nesses quatro anos de existência desse Fundo. Atualmente a gestão do Fundo Marlene Colé está a cargo da APTI-Associação de Produtores Teatrais Independentes, com sede na Capital Paulista e conta com as instituições SATED-SP (Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos e Diversões do Estado de São Paulo), Cooperativa Paulista de Teatro e Coletivos de Circo,  a parceria com a APTR (Associação de Produtores Teatrais) e o apoio do Artigo 5º.

 

Ficha técnica

Texto: Matéi Visniec

Direção e dramaturgismo: Bruno Kott

Elenco: Mauro Schames e Nicole Cordery

 

Serviço

15 de maio a 6 de junho de 2020

Sextas e sábados às 20h

Na Plataforma Zoom

Ingressos: Pague Quanto Puder (a renda será destinada ao Fundo Marlene Colé)

Via Sympla.

 

(Para assistir à experiência, é necessário baixar o aplicativo Zoom no seu computador. Depois, é só reservar o seu ingresso pelo Sympla e seguir as instruções).

 

Duração: 40 minutos

Classificação indicativa: 14 anos

Data da publicação: 18/05/2020
Desconto: 0.00%
Informações de contato:
,
douglaspicchetti@gmail.com
11 99814 6911